Os 35 anos do Jornal Nacional; plogdopaulohenrique




             Os 35 anos do Jornal Nacional

 

             ou  Cadê o Comissário?

 

                          Paulo Henrique Amorim

     Nikolai Yezhov é quem aparece à direita, na primeira foto,  ao lado de Stalin.  Ele era Comissário para o Transporte Marítimo. Yezhov aderiu aos bolcheviques antes da Revolução de 1917, lutou no Exercito Vermelho e se tornou um colaborador próximo de Stalin. Chegou a chefe da NKVD, ou o Comissariado do Povo para os Assuntos Internos, que antecedeu a KGB. Foi Yezhov quem dirigiu o grande expurgo dos inimigos de Stalin, de 1936-38, conhecido como a “Yezhovschina”.

 

   Acontece que o Comissário Yezhov caiu na própria armadilha. Denunciado como trotskista, foi preso e executado provavelmente em 1939.

(continua...)



 Escrito por Paulo Henrique Amorim às 14h16
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   Na segunda foto, em seu lugar aparecem as águas de um canal próximo de Moscou.

  

    O livro “Jornal Nacional – A notícia faz história”, da Jorge Zahar Editor, para comemorar os 35 anos do Jornal Nacional, não faz justiça a Roberto Marinho. 

 

   Eu apareço no livro mais do que ele. Trabalhei na Rede Globo de 1984 a 96. No entanto, fora o prefácio, onde Roberto Marinho aparece como o  empresário de visão, e o capítulo sobre a morte dele, meu nome aparece 23 vezes, e o dele, treze. Há duas fotos em que apareço. Ele, em uma só.

 

    Roberto Marinho era mais do que um empresário de visão. Ele era o “editor-at-large” do jornalismo da Rede Globo (e do jornal O Globo). Ou, como se dizia na redação, quando cheguei à TV, ele era “o nosso melhor repórter”. Ele e só ele decidia sobre o noticiário “sensível” de política e economia. Os editores de política e de economia (como fui) tinham a autonomia de vôo de uma barata.

 

    Em vários episódios que o livro reconstitui, Roberto Marinho, como o Comissário da fotografia, simplesmente “some” – quando, na verdade, desempenhou papel decisivo. O mais conspícuo é a edição do debate entre Collor e Lula, nas vésperas do segundo turno da eleição de 89.  A decisão foi de “pôr o pior do Lula e o melhor do Collor”. E, embora os profissionais Octavio Tostes e Francisco Tambasco (pág. 221) tenham fixado os pontos principais do episódio, “pôr o pior do Lula e o melhor do Collor” era uma decisão que só Roberto Marinho poderia tomar – e tomava. E ninguém, no livro, cogita dessa hipótese.      

 

    Creio, porém, que a minha melhor contribuição à crítica desse livro seja em relação à eleição para Governador do Rio, em 1982.

(continua...)



 Escrito por Paulo Henrique Amorim às 14h14
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      Para preparar esse trabalho, minha empresa, a “PHA Comunicação e Serviços”, contratou a “Papier Produções e Editora” para produzir uma investigação que explorasse três hipóteses:

 

1)   Houve uma tentativa de fraude na eleição para Governador do Rio, em 1982, com o objetivo de roubar a eleição de Leonel Brizola e eleger Wellington Moreira Franco, do PDS;

2)   As organizações Globo (jornal e tevê) coonestaram a tentativa de fraude;

3)    Brizola lutou como uma fera e, com a ajuda do Jornal do Brasil (do qual eu era, na época, chefe da redação), da Radio Jornal do Brasil e da TV Bandeirantes, evitou a fraude.

 

     A equipe que contratei não teve acesso a uma peça importante da investigação: não pode assistir à fita com o programa “Show (sic) das Eleições”, exibido pela TV Globo, nas eleições de 82, pois “não temos em nosso acervo a matéria solicitada”, informou Maria Alice Fontes, gerente de operações do Centro de Documentação da Rede Globo.

     

     É uma pena. As referencias ao “Show” em outras fontes permitiram, porém, reconstituir trechos essenciais do programa.

 

      Os links abaixo; o trabalho da jornalista Maria Helena Passos, autora da reportagem “Cuidado ! Quem procura pode achar”, sobre a investigação frustrada na justiça e na polícia; além das entrevistas com César Maia, Pery Cotta e o Procurador Celso Fernando de Barros; o relato de Pedro do Couto e do analista de sistemas, Glauco Antonio Prado Lima; e a contribuição da “Papier” e de outros profissionais contratados pela “PHA” – tudo isso foi o que me permitiu preparar esse trabalho.

(continua...)



 Escrito por Paulo Henrique Amorim às 14h13
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    Sobre a tentativa de fraude .

 

    Pouco antes da eleição, fiquei de orelha em pé por causa de duas informações que recebi. Primeiro, o repórter de política do Jornal do Brasil, Rogério Coelho Neto, me contou que o Deputado Léo Simões, do PDS do Rio e notoriamente ligado ao SNI e ao Presidente João Baptista Figueiredo, lhe tinha dito que o Brizola ia perder a eleição, porque ia ser muito grande o numero de brancos e nulos num dos maiores redutos dele, a Baixada, por causa da vinculação dos votos.

 

    Como se sabe, para o PDS ganhar a eleição, o regime militar impôs “a vinculação de votos”: o eleitor tinha que votar no mesmo partido de governador a prefeito.

 

    Também pouco antes da eleição, Wellington Moreira Franco foi ao prédio do Jornal do Brasil, na Avenida Brasil, dar uma entrevista à Radio. Passou na redação do Jornal e me disse a mesma coisa: o eleitor do Brizola não ia saber votar.

 

    A tentativa de fraude começou na escolha da empresa que ia contar os votos, a Proconsult. Até um órgão do Governo, o Serpro, se recusou a participar da concorrência: alegou que não podia dar conta da totalização de eleições majoritárias, estaduais e municipais, ao mesmo tempo.

 

    Foi a sopa no mel para a parceira SNI/Proconsult.

 

    Era para ser um passeio na raia. O bicheiro Castor de Andrade, sólido aliado de Wellington Moreira Franco e do Governo militar chegou a dizer:  “nunca pensei que fosse tão fácil ganhar uma eleição”.  

 

    A Proconsult tinha concebido um “diferencial Delta”, que seria “o grande eleitor” – os votos brancos e nulos que desfalcariam o Brizola.

(continua...)



 Escrito por Paulo Henrique Amorim às 14h12
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    Uma apuração paralela do PDT, liderada por Cesar Maia, notou um fato singular: os primeiros boletins oficiais (e da Proconsult) eram divulgados sem os votos nulos e brancos.  O repórter Heraldo Dias, do Jornal do Brasil, uma semana depois, verificou em boletins do TRE, elaborados pela Proconsult, que os votos brancos e nulos diminuíam, embora o número total de votos aumentasse.

 

     Além do “diferencial Delta”, era importante que, primeiro,  entrassem no computador os votos de onde Wellington era forte – o interior do Estado. Para criar o clima de “já ganhou”, acostumar (ou “preparar”, como prefere Luis Carlos Cabral, diretor Regional da TV Globo, no Rio, na época) a opinião pública para a idéia de que Brizola ia perder.

 

     A entrevista do Procurador Celso Fernando de Barros a Maria Helena Passos demonstra que a Justiça não se empenhou em investigar a tentativa de  fraude. Muito menos a Polícia Federal. O JB investigou e o então repórter do Jornal do Brasil, Ronald Carvalho fez uma perícia da Proconsult.

 

     Como disse o ínclito General Golbery, que se recusou a criticar o que rapaziada do SNI fez na eleição do Rio. O que ele criticou foi a inépcia. “Então, você acha que roubar uma eleição através do sistema de computador é coisa fácil ? Eles simplesmente não sabem fazer isso”. Se soubessem, tudo bem …

 

    Inépcia por inépcia, ressalte-se que a intenção original do Governo deu com os burros n’água: nas eleições de 82, o numero de votos nulos e brancos diminuiu. Inclusive no Rio.

 

    Sobre o papel das Organizações Globo.

 

    Como demonstram os links abaixo, o jornal O Globo (que fornecia os dados à Rede Globo) cometeu todos os erros (?) da Proconsult.

(continua...)



 Escrito por Paulo Henrique Amorim às 14h12
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      Como lembrou Brizola à Rede Globo, por um fenômeno de logística que merecia ser um case estudado pela Harvard Business School, os votos de Itaperuna, no interior do estado, chegavam mais rápido ao Globo do que os votos de Bonsucesso, um subúrbio da Zona Norte da cidade.

 

     Segundo o depoimento de Cabral e de Osvaldo Maneschy, então funcionários das Organizações Globo, no sistema de apuração do jornal O Globo os votos dos redutos de Moreira Franco entravam numa proporção maior e mais rápido do que os votos dos redutos de Brizola – embora estivessem disponíveis.

 

     Segundo o depoimento de Homero Icaza Sánchez, editor de analises e pesquisas da TV Globo, Roberto Irineu Marinho, filho de Roberto Marinho decidiu que ele e Roberto Medina (ligado a Wellington) elegeriam  Moreira Franco de qualquer jeito.

 

     Cabral chegou a dizer a Roberto Irineu Marinho que era preciso colocar no computador da Globo mais votos da capital, onde havia mais redutos de Brizola, porque, nas ruas do Rio, onde se bradava “o povo não é bobo, abaixo a Rede Globo”, as equipes da Globo não tinham condições de trabalhar. 

 

     A eleição foi na segunda-feira, dia 15 de novembro de 1982.

 

     Brizola, na verdade, só ganhou a eleição na quinta feira.

Naquele dia, 18 de novembro de 1982, a manchete do Jornal do Brasil era “Brizola deve vencer Moreira por 34,1% a 29,5%”. A manchete do Globo foi: “Decisão da eleição só com as últimas urnas”. Acima, em letras menores, ainda no Globo,  “diferença será inferior a 60 mil votos”. ( E não foi por acaso que Brizola ganhou. Na capa do Globo, ao lado, há um outro título: “(Ernani) Galvêas (ministro da Fazenda) confirma que Brasil vai recorrer ao FMI”.  Na página 10, o Globo informa: “Primeiro boletim oficial do TRE dá Moreira na frente”.

 

     No sábado, por telefone, Roberto Marinho repreendeu  Cabral: “Você me desobedeceu. Eu disse que não era para projetar e você passou dia inteiro projetando, dizendo que o Brizola ia ganhar. Você me desobedeceu.”

 

     Naquele mesmo sábado, um antigo repórter da Radio Globo disse a Maneschy, na redação do jornal: “o velho enlouqueceu. Ele mandou parar o computador”.

     

     No domingo, 21 de novembro de 1982, o titulo da primeira página do Globo é “Resultado final ainda indefinido”.

 

     Na sexta-feira, Boni já tinha mandado tirar do ar o “Show”  da Rede Globo.

(continua...)



 Escrito por Paulo Henrique Amorim às 14h12
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        O que o livro “Jornal Nacional – A notícia faz história” se limita a fazer, a partir da página 104, é botar a culpa no sistema de apuração do jornal O Globo. E admite apenas um “problema metodológico”, que foi confiar o sistema de apuração de uma televisão, que tem que dar informação várias vezes ao dia, a um jornal – que sai uma vez por dia.

 

         O livro diz que o “escândalo Proconsult” dizia respeito à empresa contratada pelo Tribunal Eleitoral (e não tinha nada a ver com as Organizações Globo). E aceita a conclusão da Justiça de que os erros não foram intencionais.

 

         Porém, há um depoimento precioso. O de Alberico de Souza Cruz. Ele era, então, “um dos responsáveis pela Editoria de Números da Rede Globo”. Mais tarde, foi um dos responsáveis pela edição do debate Lula x Collor, da edição do Jornal Nacional propriamente dito, e Diretor de Jornalismo, em lugar de Armando Nogueira.

 

        Na página 116, Souza Cruz diz assim: “Aí, foi o famoso episódio da Proconsult, que não tem nada a ver com TV Globo. A Globo nem tinha conhecimento do complô que existia contra o Brizola. Hoje, eu estou convencido de que existia um complô. Mas, a Globo não participou dele, porque a gente até nem tinha competência para isso. Podia ser que algumas pessoas da Globo tivessem conhecimento desse complô contra o Brizola, mas nós não tínhamos. Nós, os profissionais, não tínhamos conhecimento nenhum. A Globo nunca participou de nenhum complô, a Globo que eu digo, os profissionais da Globo, nunca participaram de nenhum complô contra Brizola.”

(continua...)



 Escrito por Paulo Henrique Amorim às 14h11
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    Tenho todos os motivos para acreditar que muitos dos profissionais da TV Globo com quem tive a honra de trabalhar, de Armando Nogueira a Woile Guimarães, de Alice Maria a Luiz González – para falar dos que exerciam cargos de chefia  --,  não tinham conhecimento da operação para  coonestar a fraude. Porém, acima deles, “algumas pessoas” das Organizações Globo se dispuseram a ter um papel mais importante  para tirar a vitória de Brizola do que teve a Rede Fox de televisão para eleger George Bush presidente dos Estados Unidos, em 2000. O documentário de Michael Moore, “Farenheit 11/9”, que se tornou anátema para direita furiosa do mundo inteiro, deixou claro como a fraude eleitoral na Florida fomentou e desembocou num impasse. Esse tipo de impasse tem que acabar na Justiça. Nos Estados Unidos, acabou na Suprema Corte, controlada pelos republicanos. No Rio de 1982, acabaria num Tribunal Eleitoral que foi, no mínimo, omisso diante da tentativa de fraude contra Brizola. É o que fica claro com o levantamento dia-a-dia da cobertura das eleições, as entrevistas e as reportagens que se seguem. 

    

     Só que Brizola não fez o que os democratas fizeram em 2000, segundo Moore: os democratas assistiram à derrota. Brizola saiu da jaula e confirmou a eleição na batalha da opinião pública. Enfrentou o Globo dentro da Globo, denunciou a fraude aos jornalistas estrangeiros, saiu de redação em redação. E, mais tarde, teve papel decisivo – como lembra César Maia – na redemocratização do Brasil. Teria existido o comício das Diretas, na Candelária, se o governador do Rio fosse o Wellington ?

 

     Brizola não ficou sentado em cima das mãos. É bem verdade que Brizola tinha informações que vinham de dentro do sistema militar e da própria Rede Globo. E o senador do PDT, Saturnino Braga, soube que aliados de Wellington tramavam o golpe e denunciou as Organizações Globo da tribuna do Senado.

 

     O diabo as faz. No dia 14 de dezembro, O Globo e o Jornal do Brasil divulgaram o resultado oficial da eleição. E O Globo errou: tirou dez mil votos da diferença entre os dois candidatos mais votados divulgada pelo TRE: publicou 168 mil, quando a diferença a favor de Brizola foi 10 mil votos maior: 178 mil votos a mais que Wellington. O Globo também tirou 464 votos de Wellington ...

 

    E eu próprio redigi com irreproduzível prazer a nota de correção do JB:  “a projeção da Rádio e do JB estava errada: errou por 0,08%”.  

 

    Brizola ganhou a eleição duas vezes. Na lei e na marra.

 

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PS - Quero agradecer a gentil colaboração de Celso Fernando de Barros, Luis Carlos Cabral, Villas-Bôas Corrêa, Pery Cotta, Pedro do Couto, Glauco Antonio Prado Lima, César Maia, Oswaldo Maneschy e Xico Vargas. Evidentemente, eles não tem nada a ver com a minha opinião ou versão dos acontecimentos.     

 

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Veja a seguir os levantamentos e reportagens em que me fundamentei para apresentar essa crítica.  



 Escrito por Paulo Henrique Amorim às 14h10
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                                               A tentativa de fraude

 Os antecedentes

Em 1976, ainda vigorava o dispositivo da Constituição adotada década antes pelo regime militar, que impedia a eleição dos prefeitos das capitais brasileiras. Eles eram indicados pelos governadores. Porém, os prefeitos dos demais municípios do país, eleitos para um mandato de quatro anos, tiveram seu período espichado por mais dois anos. A idéia do governo federal, sob a presidência do general João Baptista Figueiredo, era a de que ao se juntar as eleições para todos os cargos em um único pleito, o PDS sairia favorecido.

 Não foi outro o motivo que levou à adoção legal do voto vinculado em 1982. Nele, o eleitor era obrigado a votar no mesmo partido para todos os cargos. O Executivo propôs o projeto com a justificativa de que o expediente fortaleceria os partidos e a fidelidade partidária. Mas na prática julgava que a vinculação do voto beneficiaria o PDS, já que este era o partido que, além do governo federal, governava a maioria dos estados e dos municípios do país. A oposição chiou forte. Mas não adiantou. A lei vingou, mas também não adiantou o lado do PDS. Nas eleições de 1982, o PMDB aumentou suas bancadas e, surpreendendo a todos, os votos nulos e brancos desabaram. Menos, como se verá a seguir, na contabilidade que a Proconsult tentou imprimir à apuração dos votos no Rio de Janeiro, como se verá a seguir. Naquela eleição, Wellington Moreira Franco, pelo PDS, Miro Teixeira, pelo PMDB, Sandra Cavalcanti, pelo PTB, Leonel Brizola, pelo PDT e Lysâneas Maciel, pelo PT, disputaram o governo fluminense. Os demais antecedentes, já em 1982, foram os seguintes, conforme registrou a imprensa da época:

(continua...)



 Escrito por Paulo Henrique Amorim às 14h09
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1) Em março de 1982, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro inicia o cadastramento das empresas de processamento de dados para licitação do serviço de computação dos votos durante o processo de apuração das eleições de 15 de novembro. Nelas, seriam eleitos governador, senador, deputado federal, deputado estadual, prefeitos dos municípios do interior e vereadores para todas as câmaras municipais do Estado. O Serpro, a Datamec, controlada pela Caixa Econômica Federal, e a Proconsult, criada em fevereiro de 1981 e fruto de três grupos empresariais, se inscrevem. (Em Playboy, março de 1985, Os Quinze Dias de Sabotagem para liquidar Brizola, por Hamilton de Almeida Filho e Ricardo Gontijo).

2) Em maio, o PDS, assustado com a baixa popularidade de seu candidato, Emílio Ibrahim, ex-secretário de Obras do governador Chagas Freitas, apadrinhado do ministro do Interior, Mário Andreazza, que acalentava candidatar-se à sucessão de Figueiredo, diante do risco do desastre eleitoral que isso poderia significar com a vinculação do voto e em um estado governado pelo PMDB, troca-o por Rubem Medina, deputado federal e dono de agência de publicidade. A decisão é fruto de pesquisas feitas pelo Serviço Nacional de Informações que previa a redução da bancada pedessista de 12 para 6 deputados federais, se não houvesse a troca. Na ocasião, Wellington Moreira Franco, genro do senador Amaral Peixoto, liderança do PDS fluminense, recusa a oferta. (Em Isto É, Vítima das pesquisas, de 23/05/1982). Meses depois, Wellington aceitaria.

3) A segunda troca foi acertada em maio mesmo, quando o senador Amaral Peixoto é chamado ao Planalto para empreender a tarefa de combater o PMDB, por conta da vinculação de voto e recuperar a massa falida do PDS fluminense, essencial para permitir maioria pedessista no Colégio Eleitoral que elegerá o sucessor de Figueiredo. Exige que Moreira Franco seja o candidato e toda ajuda do governo federal para ressuscitar as bases amaralistas do interior do estado, elegendo pelo menos seis deputados federais. Elegeria 14. Por conta disso e de outros fatos que se seguirão, Gustavo Silveira, assessor de imprensa do então ministro Delfim Netto, diria a Playboy (texto citado) que Brizola ganhou para governador, mas o partido vitorioso no Rio foi o PDS e o derrotado o PMDB. Miro Teixeira não sabe que mudou a História do Brasil _ elegeu Brizola e formou o Colégio Eleitoral que o PDS precisava para 84.

4) Em 4 de agosto, o resultado da licitação é anunciado. Mas Serpro e Datamec desistem antes que o Grupo de Trabalho do Tribunal conclua seu trabalho na primeira semana de setembro. Alega Carlos Eduardo Oberlaender Alvarez, gerente do projeto de modernização do Serpro, não concordar com o Plano das Apurações, elaborado pelo Juiz aposentado Dalpes Monsores, membro do grupo de licitação presidido pelo juiz corregedor do TRE fluminense, José Rodrigues Lema, e integrado pelos juízes Emilio do Carmo e José Danir Siqueira. Legalmente, o Serpro podia ser contratado sem concorrência por qualquer órgão público. Mas não poderia participar de uma. Seu sistema não se adaptava ao planejado para o Rio. A Datamec também se retirou por não ter mais interesse no projeto eleitoral. Alvarez, em março de 1983, disse que o presidente do TRE, desembargador Marcelo Santiago Costa, aos 70 anos, sentia-se pressionado por Monsores e a própria secretária, Marília, a aceitar a decisão do GT de licitação e contratar a Proconsult. O técnico do Serpro o interrogou, inclusive, no dia da decisão, para saber se a divergência do Serpro com Monsores era apenas técnica e se a Proconsult era mesmo capaz de totalizar o pleito fluminense. (Em Playboy, março de 1983, texto citado).

(continua...)



 Escrito por Paulo Henrique Amorim às 14h08
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5) Em 10 de setembro, a TV Globo exibe o filme João, um brasileiro, o que é entendido como propaganda eleitoral para os candidatos do PDS. Estava-se às vésperas do início da propaganda eleitoral na televisão sob a égide da Lei Falcão que, desde 1976, quando fora decretada pelo governo Geisel, permitia aos candidatos apenas que mostrassem seu rosto e número no vídeo, como ocorreu em 1982 de 14 de setembro a 13 de novembro. (Em O Globo, setembro de 2004)

6) Realiza-se dia 13 de setembro o último debate pela TV Globo no Teatro Fênix, com os cinco candidatos: Sandra Cavalcanti (PTB), Miro Teixeira (PMDB), Wellington Moreira Franco (PDS), Lysâneas Maciel (PT) e Leonel Brizola (PDT). Perguntas de populares feitas em Madureira, Niterói, Nilópolis e Ipanema. A coordenação do debate pergunta-lhes em quem votariam se não fossem candidatos. Brizola disse que votaria em branco e Moreira Franco, que só não votaria em Miro. (Em O Globo, em 13 de setembro de 1982).

7) Brizola vai à TV Globo tratar da propaganda eleitoral gratuita e alguém lhe diz que Homero Icaza Sánchez, editor de análise e pesquisas da TV Globo, conhecido como o Bruxo e dono de empresa de prestação de serviços que tinha a emissora como cliente, possuía uma pesquisa que dava sua vitória. Era encomendada ao Ibope e indicava que 52% do eleitorado sem candidato diziam que, quem ganhara o debate fora Brizola.

O ex-governador gaúcho liga para o Bruxo. Este lhe diz que só poderia conversar com ele no sábado e convida-o a ir até sua casa. Sánchez avisa Roberto Marinho, presidente das Organizações Globo, que concorda com a visita.

Para acreditar na vitória de Brizola, Sánchez se baseava no forte crescimento do candidato entre os meses de agosto e setembro na pesquisa. E também em um levantamento por profissões que elaborara, onde Brizola era apontado predileto em várias delas. Antes de conversar com o candidato do PDT, Homero já tivera contacto com Miro, e em função de análises de pesquisas lhe deu sugestões para a campanha. Mas os luas pretas, grupo que orientava o candidato do PMDB, não deixou que as suas idéias emplacassem. O editor da TV Globo ainda tivera contacto com o chefe de campanha de Sandra Cavalcanti, do PDT, que rechaçou tudo o que ele propôs. Ainda, Homero Sánchez fora procurado por uma agência de publicidade que queria trabalhar com Moreira Franco. Mas, como o candidato não topou mudar de agência, o contacto entre o "Bruxo" e o candidato do PDS não se viabilizou.

A Brizola, Homero sugeriu que falasse dos aposentados em sua campanha, em um dos quatro contactos que teve com o candidato. O ex-governador gaúcho o obedeceu.

Homero lembra que, quando Brizola disparou nas pesquisas, Roberto Marinho já estava contrariado com o rumo da campanha, pois na condição de amigo de Chagas Freitas, Miro, que rompera com o governador carioca, era visto pelo dono da Globo como seu inimigo também.

Sem muito empenho na candidatura de Moreira Franco, Marinho viajou ao Japão. E passou o comando para Roberto Irineu Marinho, seu filho, que, segundo Homero, decidiu que ele e Roberto Medina elegeriam Moreira Franco de qualquer jeito. (Em Playboy de maio de 1982, entrevista com Homero Icaza Sánchez, concedida a Vitu do Carmo).

8) Em 22 de setembro, o Ibope dá Brizola na frente pela primeira vez na campanha, com 23,1% e Moreira Franco com 22,5%, em pesquisa realizada entre 16 e 20 de setembro. Em um só mês, Brizola subiu 13 pontos. O Globo atribui a seu desempenho no debate televisivo. Brizola diz que Moreira Franco tem uma prática política mais respeitável do que a de Miro Teixeira. (Em Isto é, A força do furacão gaúcho, em entrevista a Maria Helena Malta e Artur Xexéo)

(continua...)



 Escrito por Paulo Henrique Amorim às 14h07
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9) O governo se convenceu de que a municipalização do voto dará uma ampla vitória no país ao PDS, pois das 25 unidades da federação onde haverá eleições, só nove têm mais de 30% do eleitorado nas capitais. Entre elas, o Rio. (Em O Globo de 22/11/1982)

10) Em 15 de outubro, o Ibope afere 24,5% de intenção de voto vinculado para Brizola e 17,4% para Moreira Franco. Sem vinculação, os percentuais são de 35,3% e 21,1%. A vinculação impôs uma perda de 10 pontos nas respostas favoráveis a Brizola e de 3,7 pontos entre o eleitorado de Moreira Franco.

A pesquisa demonstra que o problema da vinculação não impede a vitória de Brizola, desmentindo previsão de Abi-Ackel, ministro da Justiça, que afirmara: A barca do Brizola vai afundar quando atravessar a baía de Guanabara. A vantagem de Brizola foi, ao contrário de seus adversários, não ter de se explicar. (Em Isto É de 20/10/1982, Brizola cruza a baía).

11) O PDT resolve formar um grupo de apuração da eleição. Chama César Maia para comandar que, com amigos forma, um sistema para fazer apuração eletrônica da eleição. Brizola acha caro e desmonta o grupo. (César Maia em depoimento anexo, julho de 2004).

12) Uma repórter da Rádio JB, que cobriu a Feira de Informática, realizada no Riocentro entre 18 e 24 de outubro, trouxe o recado de que e Proconsult tinha interesse em conversar com a Rádio para tratar de assuntos relacionados à apuração da eleição de 15 de novembro.

Procópio Mineiro, editor-chefe da emissora, conta que a Proconsult queria passar seus resultados para uma rádio, uma vez que um jornal e uma emissora de televisão já tinham combinado utilizar os números da Proconsult. O jornalista, que tinha seu esquema próprio de apuração, recusou. Respondeu ao interlocutor da Proconsult que não tinha nenhuma intenção de desacreditar o seu trabalho. E deixou a porta aberta: disse que, eventualmente, gostaria de contar com os boletins oficiais antecipados como dado de referência.

Na última semana de outubro, a Rádio procurou Joaquim Arcádio Vieira Filho, vice-presidente da Proconsult, para saber como obter os dados oficiais de modo que pudesse confirmar sua própria apuração. A solução de um terminal, instalado na Rádio JB, parecia a melhor forma para o abastecimento constante de informações oficiais à emissora. (Em Jornal do Brasil, 27/11/1982,Proconsult quis influir na apuração do JB).

13) Ao mesmo tempo, o Jornal do Brasil preparava seu sistema de apuração. Originalmente, todos os dados, candidato a candidato seriam processados. (Em Jornal do Brasil, 27/11/1982, texto citado).

14) Em 20 de outubro, Figueiredo sobe com Alzirinha Vargas, filha de Getúlio e sogra de Moreira Franco, em palanque no Rio. O presidente da República se vangloria de unir o trabalhismo getulista ao udenismo. Diz que Moreira Franco, no céu, terá os votos de seu pai, Euclydes, sua mãe e de Getúlio Vargas. (Em Isto É, Herança eleitoral, por Maria Helena Malta).

(continua...)



 Escrito por Paulo Henrique Amorim às 14h06
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15) Fala-se em edição especial de uma revista que tinha enorme importância quando Assis Chateaubriand ainda ocupava o posto de capitão dos Associados. Diz-se também, que a principal cadeia de televisão prepara programa especial, destinado a relançar o ex-governador gaúcho como carbonário, cuja eleição alteraria o instável equilíbrio político de agora. (Em Folha de São Paulo, 21/10/1982, Tranqüilidade e medo por Newton Rodrigues. O artigo, republicado pela edição do Jornal do Brasil do dia seguinte, seria desmentido em 22/10/1982 por O Globo).

16) Um artigo denuncia a atividade de pessoas ligadas ao SNI em favor do PDS e do seu candidato, Moreira Franco. Diz que a articulação que isolou Chagas Freitas do PMDB e a exibição de armas disponíveis para atacar a maré brizolista são frutos estratégicos da ação do SNI ao orientar as forças conservadores em favor do PDS fluminense. E que, se o PDS perder, a fatura irá para Brasília. Se ganhar, será cobrada no Palácio Guanabara onde, caso seja honrada, não residirá parte da administração do Rio, mas sim em Brasília. Se não for honrada, como lhe parecia mais provável, os irregulares (agentes do SNI) ficarão na situação de quem ganhou em campo, mas perdeu na federação.

O artigo ainda condena a atribuição de articulações políticas ao SNI, dizendo que o órgão, desse modo, se candidata a tornar-se esquizofrênico. (Em Jornal do Brasil, 20/10/1982, seção Coisas da Política. Uma nova sigla eleitoral no Rio de Janeiro, por Elio Gaspari, diretor-adjunto de Veja).

17) Otoni Rocha, do PMDB de Itaguaí, onde é candidato a prefeito, a vinte dias das eleições é chamado à casa do presidente do diretório local do PDS para um encontro com o juiz eleitoral da região e dois cavaleiros de terno que vieram de cima. Eles lhe propõem que faça vistas grossas à anulação total de trinta urnas da cidade, o que permitiria o aumento de votos brancos e nulos, sem, no entanto, afetar sua eleição. Afinal, Rocha liderava as pesquisas com 5 mil votos entre 60 mil eleitores, bem à frente dos outros quatro candidatos.

Como ele seria o maior fiscal das urnas locais, era preciso que consentisse com o plano. Em troca, receberia vantagens na administração municipal. Otoni não aceita e denuncia ao partido. (Em Playboy de março 83, texto citado).

18) A quinze dias do pleito, o Ibope indica que Brizola tem 25,5% e Moreira Franco 22,3% das intenções de voto. Homero conta que as Organizações Globo, por contrato, eram obrigadas a dar o resultado das pesquisas. (Em Playboy, maio de 1983, entrevista citada).

19) Brizola cai e Moreira dispara é o título de O Globo de 30/10/1982. O jornal diz que, na pesquisa anterior, Brizola tinha 27,5% e Moreira Franco 16,7%, na escolha vinculada. Afirma também que o Ibope detectou no período, entre uma e outra enquete, que a vinculação prejudica mais a intenção de voto de Brizola do que de Moreira Franco.

20) Em 29 de outubro, Brizola está 16 pontos percentuais à frente de Moreira Franco, segundo o Gallup. Um quinto do eleitorado não se decidiu pelas siglas, mas, a despeito disso, nem Miro Teixeira nem o candidato do PDS têm fôlego para conquistar a diferença necessária para encostar no adversário do PDT. (Em Veja, 3/11/1982, Brizola não parou de crescer e está 16 pontos à frente de Moreira Franco").

21) Em 30 de outubro, o TRE notifica aos partidos que no Estado do Rio o total de urnas seria de 17.484 e o eleitorado seria de 6.260.160. (Em Playboy, março de 1983, texto citado).

22) Em 5 de novembro, Carlos Eduardo Meirelles Matheus, diretor do Gallup , diz que a divulgação das pesquisas não influencia o resultado das eleições. Brizola está 16 pontos percentuais à frente de Moreira Franco. (Em Veja, 10/11/1982, O sismógrafo das urnas, em entrevista a Almyr Gajardoni, e Brizola conquista o Rio.

(continua...)



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23) Na primeira semana de novembro, o Jornal do Brasil procurou a Proconsult que, de modo diferente do que conduzia nas conversas com a Rádio, negou qualquer possibilidade de utilização dos boletins antes que o TRE os divulgasse. (Em Jornal do Brasil, 27/11/1982, texto citado).

24) Tadeu Lanes, gerente de sistemas e métodos do Jornal do Brasil, cancela, na quarta-feira, dia 10 de novembro, a reserva de aluguel dos microcomputadores nas firmas que se haviam comprometido a fornecê-los para o Jornal do Brasil para as apurações eleitorais (Em Playboy, março de 1982, texto citado).

25) Tadeu Lanes, de volta de Brasília, comunica aos editores do Jornal do Brasil que não conseguiu montar o projeto para as apurações, um ambicioso esquema que previa trinta microcomputadores a serem transportados em kombis acolchoadas para as juntas de apuração. De lá, já viriam para a sede do jornal, os discos com os resultados digitados para a totalização. O Jornal do Brasil só saberia que essa não era a verdade em 28 de novembro, quando Lanes, já demitido, dá uma entrevista a O Globo. ( Em Playboy, março de 1982, texto citado; e O Globo de 28/11/1982).

26) Lanes marca para essa mesma quinta-feira, 11 de novembro, um almoço com Arcádio Vieira, o vice-presidente da Proconsult. Do telefonema à redação do Jornal do Brasil teve a informação de que, talvez, pudesse obter a fita de computação da Proconsult. Como seu objetivo não era publicar os dados, mas apenas o controle dos seus números, decidiu prosseguir com seu esquema de apuração próprio. Arcádio Vieira não apareceu no almoço. (Em Jornal do Brasil, 27/11/1982, texto citado).

27) Só na sexta-feira, 12, Arcádio Vieira diz em almoço com Pery Cotta, editor de política e Procópio Mineiro, editor-chefe da Rádio Jornal do Brasil e mais alguém que acompanhava o diretor da Proconsult mas não se identificou, que o esquema de transferir informação não seria mais possível. Explica que uma moça havia contado tudo ao tenente-coronel Haroldo Lobão Barroso, o responsável pela computação na Proconsult. Mas poderia montar um sistema de disfarces através do qual a rádio receberia orientação. Lobão, como se saberia mais tarde, tinha ligações com o SNI. ( Em Jornal do Brasil de 27/11/1982, texto citado e Jornal do Brasil de 31/01/1983, Lobão da Proconsult e da Capemi").

28) Sorteado para discursar na Cinelândia, Brizola encerra campanha com comício de três horas batizado de Uma nova Briza, na noite de sexta-feira, 12 de novembro. Carrega nas tintas ao falar do poder econômico da máquina pública nas candidaturas adversárias. No comício do PDS, três pessoas que gritam Brizola, Brizola, são presas. (Em Arquive-se, documentário de Guy van de Beuque e Ângela Mascelani; Jornal do Brasil de 13/11/1983; e Veja de 17/11/1982, O grande vitorioso.

29) No sábado, 13, Arcádio. o vice-presidente da empresa Proconsult vai à Rádio JB. O jornal não toma conhecimento do fato. Quis saber como seria a apuração da emissora. Indagado pelo editor-chefe, Procópio Mineiro, e pelo editor de Política, Pery Cotta, sobre o sistema da Proconsult e particularmente, sobre sua confiabilidade, disse tudo era feito com o mais rígido critério. Antes disso, os dois radialistas tinham procurado Ardádio Vieira porque queriam saber a respeito de um comentário que corria no meio político, segundo o qual a empresa teria feito um acordo com a Globo para entregar-lhe o resultado antes de fazê-lo ao TRE. Arcádio Vieira não negou contacto com a TV Globo, mas também não afirmou que existisse um acordo com a emissora de televisão. (Em documentário Arquive-se, já citado; e em depoimento de Pery Cotta, em 2004)

(continua...)



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30) Depois de freqüentes chamadas na TV Globo, que burlam a legislação eleitoral, o presidente João Figueiredo é o astro principal da Festa da Abertura, no domingo, 14 de novembro, em um parque próximo ao Maracanã, na Quinta da Boa Vista. Reparte o palco com Alcione, The Fevers, a bateria da Portela, a Orquestra Sinfônica Brasileira e muita queima de fogos.

É o encerramento da campanha do PDS disfarçada. Dona Dulce, a primeira-dama, é apresentada pelo por Sérgio Mallandro, como uma tremenda gatinha. É vaiada no palco, às seis e meia da tarde. Figueiredo discursa, ganha alguns aplausos, mas interrompe a fala quando a multidão começa a gritar Brizola, Brizola!. Ele não consegue retomar a palavra e Moreira Franco assume o microfone, diante de vaias ensurdecedoras. De lá, Figueiredo segue para a Gávea Pequena com seus ministros, com os quais comenta Foi fogo.(Em Veja de 17/11/1982, O choque da vaia na festa do Rio de Janeiro).

31) De madrugada, uma voz de mulher liga para Brizola no apartamento pela primeira vez. Ela sempre lhe fornecia os dados quentinhos das pesquisas realizadas pelo SNI sobre as eleições do Rio. Desta vez, informa sobre um plano de sabotagem na totalização do pleito. (Em Playboy de março de 1983, texto citado).

32) Na mesma madrugada da véspera da eleição, César Maia, do PDT, recebe telefonema de Cibilis Viana, secretário-geral do partido, pedindo para passar pela casa dele às 5 horas, pegar Cr$ 5 mil (não dava para nada) e montar aquele seu sistema de apuração paralela Lá, Maia liga para o programador, seu amigo, que estava em Petrópolis e gasta o dinheiro todo para vir ao Rio de táxi. Montaram então, o esquema de apuração paralela do partido: no centro, chegariam os boletins das Juntas Eleitorais; em Botafogo, seria feita a digitação dos dados, e, em Ipanema, eles seriam processados na sede da imobiliária de Sergio Dourado. Maia acha que o telefonema de madrugada tinha sido fruto de informações que Brizola recebia das mesmas fontes de informação, de origem militar, que o jornalista Elio Gaspari tinha em seus artigos. Agora, as informações estavam sendo confirmadas. O que justificava a decisão de se fazer a apuração paralela. (Em depoimento anexo de César Maia, 2004).

33) Editorial de capa de O Globo recomenda voto em Moreira Franco no domingo, véspera da eleição. Diz que Brizola tem um encantamento pela retórica fácil do oposicionismo generalizado. Cita seu passado incendiário como dado de personalidade, atesta seu mau desempenho administrativo com o fato de não ter feito o sucessor no Rio Grande do Sul. Aproveita uma declaração desbocada de Darcy Ribeiro para mostrar que o partido de Brizola não tem quadros para constituir o governo, só tem candidatura. Já Moreira Franco é descrito como alguém com comprovada capacidade administrativa _ a qualidade-chave para a escolha, segundo o editorialista. O jornal diz que no Rio, PDS e PMDB equilibram as forças políticas do Estado. (Em O Globo de 14/11/1982).

34) O Globo anuncia que fará a maior cobertura eleitoral da história: 25 mil pessoas, 14 jornais e 24 emissoras. No Rio, 700 pessoas terão condições de prover os resultados antes mesmo do TRE, com equipes se revezando em cada uma das 86 juntas apuradoras da capital e das 151 do interior para enviar os dados aos cinco computadores do Centro de Processamento de Dados da TV Globo. Duas centrais telefônicas receberão os dados de qualquer ponto do estado. E afirma que os partidos acompanharão sem dificuldades a apuração e conhecerão os resultados antes do anúncio do TRE, previsto para sábado, dia 20. (Em O Globo de 14/11/1982).

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